22 de março de 2011

Sobre a Liberdade

Amarelinho era um lindo canário da terra que pertencia ao pequeno Thomas.
O menino sardento e de cabelos amarelos adorava exibir o seu passarinho, o qual mantinha em uma bela gaiola esculpida em madeira. Todo dia, Thomas alimentava Amarelinho e, na presença de outras pessoas, oferecia manifestações de carinho ao seu bichinho, através da gaiola, como se fora seu melhor amigo. Em troca, o canarinho lhe presenteava com a sua cantoria de calouro, a maior parte de sua pequena existência.
A gaiola repousava na varanda de uma enorme casa, rodeada de folhas verdes. Uma brisa calma fazia parte do cenário, balançando levemente o cativeiro de Amarelinho, como uma suave carícia. Outros passarinhos, que voavam livres pelo jardim, prestavam diariamente uma visita àquele canário aprisionado. Ali, ele tinha tudo o que precisava, mas não era completamente feliz.
Assim, um belo dia, em um pequeno momento de descuido de Thomas, num ato rotineiro de limpeza da gaiola, Amarelinho escapou e voou bem alto, como tanto apenas havia sonhado voar.
Em seu passeio livre, avistou muitos outros jardins floridos, pousou em árvores repletas de frutos deliciosos, conheceu muitos outros passarinhos que lhe contaram histórias incríveis, com gosto de liberdade.
Após sentir em suas asas o poder de ser livre, finalmente sentiu vontade de voltar para Thomas e sua casa familiar. E voltou.
Enquanto se preparava para pousar no jardim, avistou a sua gaiola que lhe aguardava vazia. Percebeu que não queria ser um passarinho liberto, queria apenas poder optar por ficar, mas sem a gaiola para aprisioná-lo.
Thomas ficou feliz em rever Amarelinho, mas o pássaro solto, para ele, não tinha o mesmo valor.
Dias depois, o canarinho observou o menino sardento brincando com um novo pássaro, o qual preenchia a gaiola que antes fora seu cativeiro. Thomas exibia o bichinho para seus amigos, acariciando-o pelas grades que o prendiam, como se fora um troféu. Amarelinho então percebeu que, a não ser pelos cabelos amarelos que enfeitavam a cabeça dos dois, não havia nenhuma semelhança entre ele e seu antigo amigo.
Para Thomas, o importante era a gaiola.

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